Artigo 1
Por que as PMEs brasileiras podem perder competitividade?
O problema nem sempre está onde pensamos.
Uma manhã comum em uma SME
São sete e meia da manhã.
O dono de uma pequena fábrica acabou de chegar à fábrica. Durante um tour pelo setor de produção, um de seus vendedores lhe conta que um cliente importante decidiu comprar um produto importado porque era 20% mais barato.
A primeira reação é quase automática.
“Você não pode competir assim.”
Minutos depois, ele reúne seus colaboradores e propõe uma solução que parece lógica:
“Temos que baixar os preços.”
A reunião termina em um clima de preocupação. Todos sentem que o inimigo está do lado de fora. Que o problema são as importações, a concorrência estrangeira ou a situação econômica.
No entanto, ninguém está fazendo uma pergunta muito mais importante.
E se o verdadeiro problema estivesse dentro da própria empresa?
Quando o mercado muda, as regras também mudam
Por muitos anos, muitas PMEs argentinas trabalharam em mercados relativamente protegidos. Era possível sustentar processos ineficientes porque a concorrência era limitada e o cliente tinha menos alternativas.
Hoje, essa realidade mudou.
A liberalização comercial, o comércio eletrônico e a globalização permitem que o cliente compare produtos fabricados em diferentes partes do mundo em poucos minutos.
A concorrência deixou de ser a empresa localizada na cidade vizinha.
Agora pode estar a doze mil quilômetros de distância.
E isso nos obriga a repensar completamente a forma como gerenciamos uma empresa.
O problema é mesmo importação?
A resposta pode ser surpreendente.
Importações não criam os problemas de uma PME.
Eles os colocaram como prova.
Quando surge um concorrente com custos menores, ineficiências que por anos permaneceram ocultas ficam expostas.
- Processos instáveis.
- Retrabalho considerado normal.
- Movimentos excessivos de materiais.
- Desligamentos frequentes de equipamentos.
- Consumo desnecessário de energia.
- Perdas de matéria-prima.
- Estoques superdimensionados.
- Falta de indicadores.
- Decisões tomadas pela intuição.
- Nada disso aparece de um dia para o outro.
- Simplesmente para de passar despercebido.
Os custos invisíveis que ninguém calcula
Há uma característica comum em muitas PMEs.
Todo mundo sabe muito bem quanto custa comprar uma tonelada de aço, um tambor de tinta ou um saco de resina.
Mas pouquíssimos sabem quanto dinheiro é perdido diariamente devido a problemas internos.
Quanto custa repetir um emprego?
Quanto custa uma máquina parada por duas horas?
Quanto custa produzir peças defeituosas?
Quanto custa o consumo excessivo de eletricidade?
Quanto custa uma devolução de um cliente?
Quanto custa manter estoque que ninguém precisa?
A resposta geralmente é surpreendente.
Em muitas empresas, a soma desse pequeno desperdício representa um custo maior do que a diferença de preço em relação a um produto importado.
E ainda assim, quase ninguém os mede.
O Verdadeiro Desafio
- Quando uma PME decide competir apenas reduzindo preços, ela entra em uma corrida extremamente perigosa.
- As margens diminuem.
- A manutenção está adiada.
- O treinamento é reduzido.
- A renovação dos equipamentos está atrasada.
- Falhas que foram previamente corrigidas são aceitas.
- A empresa está trabalhando cada vez mais. Mas ele ganha cada vez menos.
O paradoxo é que, ao tentar derrotar a concorrência, ela frequentemente acaba se enfraquecendo devido aos problemas que ela mesma gera.
Uma oportunidade que muitos ainda não veem
Existe outra forma de lidar com esse cenário.
Em vez de perguntar:
“Como eu vendo mais barato?”
A pergunta deveria ser:
“Onde estou perdendo dinheiro sem perceber?”
Essa mudança de foco transforma completamente a forma como uma empresa é administrada.
Porque, antes de reduzir o preço de venda, é recomendável diminuir o que não agrega valor ao produto.
Desperdício.
Reformule.
Espere .
Estoque excessivo.
Consumo desnecessário.
Processos instáveis.
Quando essas perdas desaparecem, a empresa não apenas corta custos.
Também melhora a qualidade, aumenta a produtividade e fortalece sua posição em relação a qualquer concorrente.
Considerações Finais
A liberalização comercial não representa uma ameaça às empresas eficientes.
É uma ameaça para empresas que ainda não conhecem o verdadeiro custo de suas próprias ineficiências.
As PMEs que sobreviverão nos próximos anos não serão necessariamente as maiores ou aquelas com a tecnologia mais moderna.
Eles poderão descobrir que a maior parte de sua competitividade não depende do mercado, mas da forma como gerenciam cada um de seus processos.
E isso é uma excelente notícia.
Porque o contexto econômico pode ser difícil de mudar.
Mas a forma de administrar uma empresa depende exclusivamente de quem a lidera.
No próximo capítulo…
Reduzir preços é realmente a melhor estratégia para competir?
Vamos analisar por que as guerras de preços tendem a se tornar a principal causa da perda de lucratividade para muitas PMEs e quais alternativas existem para competir sem sacrificar o futuro da empresa.
“Em mais de uma ocasião visitei fábricas industriais cujos proprietários atribuíam a perda de competitividade exclusivamente ao contexto econômico. No entanto, um dia de observação foi suficiente para encontrar desperdícios, reprocessos e tempos improdutivos que representavam custos muito maiores do que a diferença de preço com produtos importados. Desde então, entendi que muitas empresas não precisam mais trabalhar, mas aprender a gerenciar melhor o que já fazem.”